[Sábado, Outubro 15, 2005]
eu volto.quando ele começar a me respeitar.
enquanto isso eu leio futuros alheios.
por contosmamalditos * 7:47 PM
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[Sábado, Setembro 03, 2005]
respira que está rápido.
Havia um mendigo, meio morto, meio vivo, sentado num canto da calçada com a cabeça aberta. Sem sangue, sem tripas, a única coisa que possuía era a falta de expressão. Tinha um cidadão saindo de dentro do mendigo.
Então, passando, parei e perguntei:
- O que fazes, companheiro?
"Sujeira, sujeira", ele disse.
-Quer algum tipo de ajuda?
"Creio que não, caro amigo. Venho de longe, e no que venta piora. O vento pior, melhora nada".
Enquanto isso o ajudo a sair. O cara parecia menor lá dentro, surgem agora enormes pernas-para uma cabeça pequena.
-Direção que devo ir?
-Pra onde?
- Perguntei primeiro.
Ele fedia. Um pouco antes, enquanto saía, o velho da cabeça aberta começou a se coçar. Ele diz para eu não me preocupar, que era uma anormalidade sensitiva. "Ah". Nessa hora vem a cabeça minha avó. Ela falava de Satanás, Ets e outros seres malignos que um dia viriam para a terra dominar nós, os fracos. Que só a igreja era a salvação. Devia rezar pro meu anjo da guarda. Nos meus aniversários ganhava bíblias. Não era minha avó, e sim minha irmã. Não era tchau, era paz de cristo. Agora a escolha da salvação poderia estar nas minhas mãos. O que eu faço?
Me viro para dar a direção pro rapaz. Ele está entrando numa van. O mendigo acena um tchau.
eu vou puto pra casa achando que podia ter salvado o mundo.
...dez em canto
por contosmamalditos * 5:29 PM
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[Sexta-feira, Agosto 26, 2005]
Bobinho e velho.
E até hoje não aprendi "seção' e o diabo. para fins práticos, vai tudo com "c" mesmo.
Minha mãe, como vocês já sabem, é vegetariana radical. Desde pequena ela já tinha mostrado para nós os malefícios dessa ?proteína do inferno?, como dizia. Aterrorizados, eu e meu irmão demoramos um pouco até conhecer a tal de ?carne?. Mas logo depois passamos a freqüentar churrascarias e encontros do frango, escondidos, claro. Minha mãe, que, há uns cinco anos passou a freqüentar uma União, foi se tornando cada dia mais rigorosa, comprou algo como um bafômetro animal, fazia perguntas com nossas mãos sobre a bíblia e chegou a pagar um detetive que usava um terno verde musgo.
Uma vez cheguei a perguntar pra ela a utilidade espiritual de um boi. Nem deixou eu responder, me esbofeteou e colocou cinco galinhas no meu quarto. ?aprende?, ela disse. Foi uma longa semana,meditando e fazendo relatórios. Já meu pai (pamonha), só abria a boca para dar as punições.
A única que nunca se conformou com isso foi minha tia. E foi voltando da casa dela mesmo que vi aquela barraquinha de cachorro quente.Nem minha mãe tampando o meu olho foi suficiente para que não a visse e desejasse. Muito. Loucamente. Foi só a gente chegar que eu pulei a janela e voltei lá correndo, com a moeda de um real cintilando na minha mão.Mandei a moça embrulhar direitinho e, já em casa, fui correndo pro banheiro. Na primeira mordida, já sentia que a porta ia desabar. Era ela. Gritava, me chamava de todos os nomes horríveis que vc possa imaginar(imagine)e, ora tentava jogar o doberman(vegetariano) pela janela ora tentava arrancar a porta com a própria boca. Então surgiu um plano mirabolante. Abri a porta. Antes que ela pudesse arrancar da minha mão, dei uma banda e enfiei o cachorro quente na boca dela. Não sei se foi o susto ou curiosidade, só sei que ela engoliu a coisa toda, nem mastigou.
Ela ficou internada, tá tirando da minha mesada as seções de análise.
E eu to de castigo.
Até ano que vem.
por contosmamalditos * 1:39 AM
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[Sexta-feira, Agosto 05, 2005]
O autor retrata a casa como sendo "humana". Não em seu sentido fiel, mas lida com metáforas a questão dela poder ser o labirinto das sensações-e isso ser refletido diretamente em cada pessoa. O teto irá proteger. As paredes delimitam o próprio pensamento.Já o porão são os temores que o homem passa.Tem cor, sombra e lugar. Seria como a possibilidade de não conseguir sair do labirinto. Elas, te protegem das intempéries.
No final, o homem criará seu próprio labirinto.
.....e você sempre volta pra ela
A casa. Do porão ao sótão. O sentido da cabana.
Gaston Bachelard, A poética do espaço e terça continua sendo meu dia favorito :)
viva terça feira
por contosmamalditos * 8:47 PM
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[Sábado, Julho 09, 2005]
A quantidade de baba é proporcional a quanto você pensa nela. Ou seja, quanto mais você pensa, medita e entra no subconsciente coletivo, mais baba. Por mais que você tente prender, isso poderá ser fatal, pois o ciclo maldito consiste apenas em pensar, produzir e expelir. A partir do momento que você quebra a cadeia, sangue e decepção- por parte do observador. O que deveria seguir o seu rumo natural, passa por sua garganta e, por questões biológicas incompreensíveis, dá uma volta pelo cérebro, pulmão e, por uma veia chega ao coração. Ele bombeia tudo de volta, só que agora misturado a líquidos corporais. Mas não se iluda. São como sapos que saem da sua boca. Eles não vão parar somente por diversão ou pela lei da gravidade.Você não precisa nem abrir a boca.Vai sair tamborilando. Não tem jeito.
Há técnicas modernas de sucção ou canudos elementares. Não gaste dinheiro com isso. Aproveite o jorro salivar para ganhar dinheiro. Pois enquanto os burocratas daqui abusam de seu pseudo-poder bucal, os pobres morrem na África, e isso é muito triste.
Pronto. Bastou para me deixar emocionado. Agora me livrarei de toda a minha baba e ficarei ressecado. Um ovo sem a galinha. Um corpo sem alma. Não poderei repor. Cuspir em mim mesmo. Fique a vontade pra arrancar a minha língua também...
o prazer parcial não me basta.
por contosmamalditos * 9:48 PM
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[Sábado, Julho 02, 2005]
A puta que pariu acordou com uma vontade imensa de ir pra porra. As duas são grandes amigas e não se viam há algum tempo. Então bateu a saudade.
-Porra!
-Puta que pariu!
As duas não eram de conversar muito.
por contosmamalditos * 2:30 AM
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[Sexta-feira, Junho 17, 2005]
Você já parou para observar a cidade em que mora? O que você vê? Construções, ruas, jardins,montanha? Jovens, velhos, desempregados, banhistas? Cachorros, gatos? Dia. Noite?
Uma cidade não é sua arquitetura ou as pessoas que a habitam. É um conjunto de situações. Uma alma... quando fecho os olhos, eu vejo, apenas os rostos.
E você? O que vê quando fecha os olhos?
........Cildo Meireles
por contosmamalditos * 9:08 PM
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[Domingo, Maio 29, 2005]
É Daniela, fica mesmo me mostrando essas coisas...já me sinto
o próprio.
Beverly Hiiiiiills
Pato? Não, cor de pato.Andorinha. Andorinha não, PATO. E como seria. Grande, feio e gordo. O quê? Ele. Ah, já está pronto. Não. O que, o móvel. Que móvel? O laranja. Desde quando laranja é pato? Pato...que pato? O inchado. Nããão é do magro. A cor ou bico? Depende. Meu cachorro parece um pato.É, minha irmã também. Legal. Então vai ter que trocar. De cor. De pato. Ahm, de irmã? Não, acho que não. Vai ter que ser robusto. Tadinha. Me dá esse mesmo logo. Éééé vai ter que encomendar. Mas ele está aí! Você não quer o que faz quac quac. Ah é? Veja só, até que é pintoso. Uma graça. Podia ser maior. Fosco talvez. Vai tomar no cu. Vou escolher o outro. O que não parece. Não. Com nada. Nada. Deve ficar estranho. Estranho. Ótimo.
Ah, sapo. Cara de sapo? Não, cor de sapo. O quê? O móvel, porra. Ahhhhh
por contosmamalditos * 10:11 PM
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[Quarta-feira, Maio 25, 2005]
q coma eu estou.
alguém anda distribuindo templates por aí?
e é hora da volta dos idosos simpáticos
Psicografia
Se a arte imita a vida, os onze em campo são Picassos de chuteiras. Mas e se esta for concebida por conceitos barrocos ou até dadaístas, o que será a vida? A arte (ou a vida?) seria um complô para um fanatismo 'bolístico-religioso', algo como a beleza das sensações, gritos, choros e a importância de uma bola, estática, em cima de uma trave descrevendo uma escultura, num paralelo claro sem nenhum fundamento, pelo menos lógico. Quando a arte passar a imitar a vida, aí sim meu caro, estaremos todos loucos.
por contosmamalditos * 11:29 PM
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[Quarta-feira, Abril 27, 2005]
A vida é feita de pequenos momentos.
Um abraço pro Marcos Almir.
A festa está praticamente no fim. Lá fora, umas almas conversam e poucos estão na sala esperando o dia chegar. A cozinha também está cheia, ainda resta metade do bolo e alguns quibes e empadas. Enquanto isso, num quartinho escuro, Maíra e Luna, ligeiramente mortas, tentam dormir. Podiam estar dançando, pulando, levitando, porém queriam dormir. Mas parece que Bruno e Madureira evitavam perceber as singelezas dos acontecimentos, e desandaram a cantar. Batucando, podia até ficar agradável o sono. Dando porrada na porta também. Uivando então...serve até como terapia. Só que eles resolveram apelar pra falta de bom senso. As irmãs simplesmente se depararam com o canto desafinado de "lua de cristal". Aí foi o fim. Num súbito pulo, as duas não precisaram nem se olhar, pegaram o mata barata, um desodorante e não pensaram duas vezes, acabaram com a celebração à Xuxa. Pensando que eram muito espertas, saíram correndo então. Os moços e a raiva, logo atrás.
E foi moleza. Luna ficou toda molhada e Maíra só na perna. Foi fácil fácil tacá-las na piscina.Uma. Duas. Três vezes.
Então a fúria subiu a cabeça. Ia ficar assim? Claro que não. Elas encheram um balde com a água da piscina e foram tacar na cama, com os devidos corpos em cima. Só que nem deu tempo, o que se viu foi um rebuliço, gente correndo por todos os lados, Luna sendo jogada novamente na piscina, meninas segurando meninos e Maíra tropeçando na própria perna, caindo da escada e deixando o balde cheio de água cair exatamente em cima de sua cabeça.Priscila, a aniversariante, nem pode rir o suficiente,pois fora atingida por Madu segundos antes e ganhou um belíssimo galo na testa.
O balde foi encontrado em cima da televisão no outro dia.
As roupas estão secando até hoje.
A bunda de Maíra ficou roxa. Está. É.
Pelo que contam, as duas passaram anos a fio bolando vinganças maquiavélicas pros dois, só que é aquela história,né, a vingança nunca é plena...
por contosmamalditos * 1:17 AM
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[Terça-feira, Abril 19, 2005]
Ela acorda num só pulo e vai correndo quebrar o porquinho. O dinheiro, a quantia exata. Junto a sua cantoria desafinada ela guarda, com cuidado, tudo nos bolsos. Enquanto isso, tranca a porta (checa o dinheiro), deixa a comida pro gato (põe a mão na calça) e desvira todos os sapatos largados no canto da cama. Dá até uma última pirueta para se certificar que tudo está certo.
Era aquele o dia! Ela mal podia esconder sua felicidade psicodélica.
Então é hora de abrir a porta, ela abre. Dá bom dia aos olhos indiscretos da Senhora Marvin e, antes que pudesse ao menos abrir a boca pra chamar o Cel Mostarda de pervertido (gostava de passear pelado pelo corredor), ele faz questão de lembrar o dia de hoje.A quinta feria onze. A data maldita. O dia mais temido do ano.
por contosmamalditos * 4:02 AM
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[Terça-feira, Março 29, 2005]
Um pedaço...
14 anos. Ela está em frente a uma tela de cinema assistindo
E o vento levou. Está em estado de choque. Chora, soluça, cutuca a moça do lado dizendo "não é lindo?", pula de tanta alegria. É o seu primeiro filme. A emoção é tanta que um cara, vestido de avestruz fumando um cachimbo, olha pra ela e lhe apresenta um aparelho. "Junte dinheiro e terá o seu próprio cinema?". Ela gargalhou, pensou e fez um sim.
Ele foi embora.
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Tem gente que tem todo tipo louco de sonho, querem ir a lua, virar famosos, ganhar muito dinheiro. Ela, humilde, só queria o seu vídeo cassete. E pronto.
por contosmamalditos * 11:29 PM
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[Segunda-feira, Março 07, 2005]
Humorzinho sem vergonha. Piadas típicas de seu pai, mas que você faz questão de reviver por uma fúria que custa apenas 1 décimo.
AAAAAARGH
Faz que não me vê. Passa pela rua cantando com sua minissaia que dá pra ver toda a bunda. Anda toda torta. Tem uma perna menor que a outra devido a um acidente enquanto bebê. Há os que acham charme nas pernas grossas de elefantíase. Mas o que horroriza, às vezes, são as marcas de queimaduras. Sua calvície, herança da avó. Orelha vestígio do jiu-jitsu. E seu carisma, ah que carisma...me deixa afagado, louco. Orgulhoso.
Ela era perfeita. Salvara uma criança de um prédio em chamas. Minha pequetita. E quando a vejo assim, vindo pra mim, sorrindo com sua boca torta e seus dentes podres, o que me resta? A loucura. E mesmo que, de vez em quando, me pegue chorando de alegria, sinto muito a sua falta. Lembro-me das nossas noitadas inesquecíveis. Quando o ônibus quebrou no meio do caminho. Você, que nem uma desesperada, começou a gritar. Fomos retirados a malas e pontapés. E enquanto você apontava o dedo eles te chamavam de bruaca, baranga, recalcada. E o único cara que parou foi o da ambulância. Quando te viu pensou que tínhamos sofrido um acidente. Foi o único solidário. Mas eu, eu estava lá, te dando o braço. Não importava se você havia perdido a mão na fábrica. Você era minha de qualquer jeito. Minha pequerucha gostosinha. Gostosinha de um peito só. E guerreira.Se aquele câncer de mama não te matou...será que o nosso amor teria esse poder? Amor não. Paixão. Arrebatadora. Aguniante. Dolorosa demais. A nossa primeira noite foi magicamente linda. Eu não esperava aqueles gritos e socos. E foi assim, a cada tremor, como um filme psico-amoroso, gamei.
Mas depois daquele acidente com a montanha russa, você chegou diferente. O beijo não tinha mais baba. Você gaguejava e seus olhos vesgos não encontravam mais os meus azuis. Disse, cruelmente, como quem vai ao açougue pedir coração, ?Não gosto mais de você?. Sua malvada, você nunca gostou de coração. Se tivesse pedido uma asinha, teria sido menos doloroso.
E desde então meu mundo vazio não tem mais graça.E, parado na rua como uma estátua, pombos ao meu redor, te vejo passando. Irradiante e bela, como uma linda donzela. A sua barriguinha cheia de gordura e celulite continua lá. E eu, movido a anti-depressivos. Olho pro outro lado da rua e o açougueiro ta lá, te esperando de braços abertos. E vejo a alegria surgir em seu movimento inesperado. O ônibus passa. Sua burra. Sempre te mandei olhar pros dois lados antes de atravessar. Mas agora é tarde. Você não tem mais sete vidas. E, uma delas, eu levei comigo.Acendi meu cigarro. E pensei que talvez, tenha sido melhor assim.
Pois é.
por contosmamalditos * 11:58 PM
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[Quinta-feira, Março 03, 2005]
Ouça
O moonrock, com aquela cara de galã, olhou pra mim, deu uma piscada e perguntou "você vem sempre aqui?"Eu, boba, envergonhada e sem saber o que dizer, só consegui dar um sorriso amarelo e balançar a cabeça fazendo que sim.Então ele deu de costas, pôs as mãos no bolso e se fez de difícil.Sem saber o que fazer rapidamente falei "caralho, você é muito foda! uhuuu"
E nosso caso de amor tem durado desde então.
aqui
por contosmamalditos * 12:11 AM
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[Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005]
Daniela anda sorrindo pela rua.Ninguém sabe ao certo o motivo de tanta alegria. Ela canta, passeia de olhos fechados e dá pulinhos apaixonados. Pois é, as pessoas podem até pensar "doida" e olhar feio para esses atos tão graciosos, mas se você, enquanto a vê passando, olhar atenciosamente para sua testa, verá algo escrito, bem grande, com letras em negrito: João Gabriel. Presta atenção, está lá.
Antes era aquela história "tadinha da minha filha encalhada", "some de casa, menina santa". Dava pena, ela era triste, capenga, magricela e tinha uma cor meio amarela. Eu devo admitir que dava nojo viver com ela.Sorria raramente, preferia gastar seus dentes amarelos mordendo o próprio braço. TOC, dos bravos. E o fato de ela ficar parada com a cabeça torta olhando pro nada, diziam muitos, era falta. Falta do quê não se sabe, pois ela respondia mostrando o papo enquanto encurvava a cabeça pra dentro, era uma graça. E foi com essa leveza q um dia, do nada, resolveu agarrar um amigo. Acordou com um sentimento estranho, um fogo, não perdeu tempo não, pôs o moço na parede. Aí creu.
De lá pra cá, as coisas mudaram. Ah sim. De tanto amor ela ficou até doente, suou frio, desmaiou, deu vertigem. Mas já está tudo controlado, ele toma conta dela direitinho. E ela está muito feliz, afinal, tem agora a quem morder. Abusa mesmo do pobre garoto. Saem no tapa às vezes, mas ele se rende aos seus cabelos lisos e seu muque recém formado.
Então acho que é isso o que dizem ser a felicidade. É sair falando sozinha, ter uma vida de "hambúrguer com João" e os outros acharem que, de tanta saúde você está grávida, quando na verdade, o seu namorado que está.
por contosmamalditos * 3:39 AM
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[Domingo, Janeiro 30, 2005]
parte dois.
O que ele não tolerava eram as repetições. Dizia, nos raros momentos em que ouviam a sua voz, que o mundo passava por um momento de extrema crise de personalidade. Logo ele, que usava as tais máscaras - Ela tinha medo. E ele sabia disso.
Então vamos fechar os olhos e dar o braço a ironia. Façamos uma roda. Bem grande, onde só caiba uma pessoa e quem mais ELA quiser. E depois de ficar girando que nem um louco solte a mão. Cada um vai cair sentado em lados opostos. Tonto. Tonta. A fantasia vai estar lá longe.
Vai menino, corre e pisa nela.
por contosmamalditos * 2:22 AM
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[Quarta-feira, Janeiro 19, 2005]
Porque a cabeça ta fechada pra balanço. E você fará uma cara muito feia depois de ler esse cuspe aí em baixo.
Manuel se disfarçava bem. Sua mãe achava convincente. Na verdade ela pensava que o filho havia morrido num acidente besta, veja só, escorregando na banheira. O que ninguém sabe é porque ele preferiu se deixar assim mesmo, mortão.Deixa ser. Agora ele podia tomar conta melhor da casa, se disfarçar de microondas, luminária e até uma adjacência da parede. A mãe podia até estranhar, às vezes, uns novos eletrodomésticos. Só que ela era meio bobinha,nem notava, ao contrário, ficava até feliz. O que se sabe é que ela tinha fama de maluca. A polícia nem ia mais lá quando os tais presentes divinos desapareciam. Fazer o quê, né...macumba. Ela se conformava.
"Pega o cachorro safado". Mas ele gostava mesmo era se vestir de animais. Depois de acordar, nada como um belo passeio. O bosque era lindo, e quando não chovia, ou ele preferia ficar parado meditando( as roupas de arbusto lhe caíam como as rosas assassinas na mão de um florista sem amor) ou ia pra um lar diferente se passando por uma criança moreninha dos óio verde. O que ele não tolerava eram as repetições. Dizia, nos raros momentos que ouviam a sua voz, que o mundo passava por um momento de extrema crise de personalidade. Então demos o braço a ironia e façamos uma roda. Mas aí corre o risco dele virar um frango rotatório.Logo, você ficará perdido. Eu terei que me retirar pra comer a asinha e o Manuel vai virar um pastel e se comer, porque o amor é grande, puro e ele nunca tinha se vestido de carne seca com banana.
por contosmamalditos * 1:40 AM
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[Quinta-feira, Janeiro 13, 2005]
Eu já o conhecia há 1 ano.As nossas conversas, no começo, eram ainda meio superficiais.Claro, a gente nem se conhecia. Aí num dia ?nada pra fazer? o chat apareceu,como uma oferta simples e tentadora, vem me conhecer. Eu fui.
Carioca sarado. Gatinho selvagem. Porra.Foi quando eu resolvi sair e fui capturada pelo Shakespeare. Carinhoso e belo como um donzelo. Tudo o que eu queria. Ele era mágico, não poupava esforços em escrever belas palavras,nem comia as letras em você. Aí eu gamei. Acordava no computador, comiiiia e dormiiia, tudo ao som do amor.Gostei tanto daquele rapaz quanto da minha tendinite. As fotos do seu pé, nariz e mão já estavam por todo o meu quarto. Seu sorriso almoçava comigo todos os dias. Éramos, praticamente, duas almas virtuais num só corpo . De manhã, bom dia. Antes de sair, juízo, hein querido. E sim, éramos fiéis.
Feliz carnaval. Boa páscoa. Vem pra cá no natal, minha amada. Só se for agora. O mais estranho era que a gente não se conhecia. Preferimos assim, não éramos pessoas carnais, procurávamos simplesmente a beleza interior. E, quando eu o vi, sabia que era ele.E ele era simplesmente... lindo! Sorria e tinha toda aquela forma especial de ficar parado ? a que você sempre procura num homem.Ele não tirou os olhos de mim, me deu a mão e fomos pra sua casa. Assim mesmo, sem falar nada. Chegando lá, um cara, também muito bonito deitado na cama, abriu os braços e me chamou pelo nome. Ele parecia feliz. Eu fiquei parada, não tava entendendo nada. Ele me deu um beijo e agradeceu o amigo por ter ido me buscar. Bolei.
Ele era, realmente, tudo o que demonstrara. Carinhoso e inteligente, parecia até bonequinho de vudú. Fazia todas as minhas vontades e foi uma semana linda. Na verdade, tentei evitar aquele amigo,ele tinha cara de cachorrinho sem dono! Toda vez que olhava pra mim dava pena, ele era fofo, carente. Dava vontade de morder e levar pra cuidar em casa. Encontrava com ele na sala, ia ao banheiro. No corredor, meia volta. Mas quando o vi, peladão no banheiro, aí não deu. Fiquei congelada, olhando de boca aberta. Deus do céu, quanta saúde. Aí desse dia em diante...fudeu.Era um no banheiro, outro na sala. Um na hora que o outro saía, embaixo dos lençóis. Mas não estava agüentando mais aquela situação. Os dois já sabiam, e me pressionavam. Eu não poderia ficar sem um. Acho que o que me deixou confortada foi o que cada um oferecia, a seu modo. E eles, estavam viciados em mim. Acho que ficamos dependentes de toda aquela situação, daquele amor mútuo.
Ta passando a Família de Antonia na televisão. Estamos no sofá, deitados. A mão de Paulo é mais fria. Mas a de Silvio,ah, é daquelas que te deixa toda arrepiada.
por contosmamalditos * 10:24 PM
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[Domingo, Janeiro 02, 2005]
"como a canção que um dia eu fiz pra te brindar"
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Vou criar um novo estabelecimento.Vou virar a fadinha das emoções.E na minha cidade perdida, toda forma de expressão será bem vinda. Você poderá fazer xixi de tanto rir. No bosque,vai poder gritar até espantar toda a raiva. E vai poder sentar e chorar no meio das pessoas. E elas não vão olhar estranho pra você, nem terão pena. Muito menos irão passar a mão pela sua cabeça. Num misto de alegria e fúria você vai poder criar sua própria discórdia.Vai ser lindo.
por contosmamalditos * 11:45 PM
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[Domingo, Dezembro 12, 2004]
www.clube.blogger.com.brDecapitação zen
Incorporação da insuportabilidade.
Cá estou, tentando achar uma forma menos dramática de resolver toda a minha "crise existêncial do momento". Nada de auto-flagelo (cabeçadas na parede já saíram de moda).Nem pensar em me matar, ta louco?Então foi que pensei.É, eu penso. Seria, acho que, um bem pra humanidade se a gente pudesse,como num clique, tirar as nossas cabeças pensantes e passear por aí...vagando pelo mundo.O esquema era esse: você arrancava delicadamente a sua parte superior, escolhia uma caixinha vermelha (estimula a auto-confiança) e guardava em cima da estante. Simples, fácil e objetivo.
Livre e "pulativa" você teria uma hora para dar uma de flaneur. Passar por todos aqueles bebezinhos simpáticos, aquele velhinho tarado, toda aquela desconcentração de renda. Ô que coisa bonita. Sua cabeça está livre. Você nem se incomoda quando todo aquele caos parece trazer a sua cabeça de volta. Aí você pára na vendinha fedorenta da esquina, para quem sabe, passar o tempo da forma mais sublime possível, comendo. E o prato do dia, personalidades. Fresquinhas, podendo vir com ou sem açúcar. Parecendo churros redolentes. Aí fui eu experimentar uma por uma para ver qual cabia direitinho no lugar do meu cabeção.Você acha uma, depois de pegar várias orelhudas e fofoqueiras. Ela parece perfeita, não combina muito, você nem gosta muito dela, mas cabe direitinho no seu pescoço. Nessa hora cai uma solitária lágrima do seu olho. Você está emocionada. Finalmente pode esquecer a sua cabeça insuportável, que está trancafiada num pote reciclável. Você coloca a outra, capenga, ela já veio até sorrindo, que maravilha. No caminho de volta,você decide. Sim,irá ficar com as duas, tipo gêmeos siameses.
É, seria uma boa idéia. Você enjoa de uma pega a outra, enjoa da outra, pega a uma. E você voltava a ser novamente, uma pessoa normal.
por contosmamalditos * 8:10 PM
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